“O Memex”

Após ler e fichar “muitos” livros para a prova de Projeto, e ver que em todos eles havia pelo menos uma página descrevendo sobre esse grandioso projeto de Vannevar Bush, resolvi comentá-lo aqui, nessa nova sessão do blog, onde irei (ou tentarei) comentar sobre o design e sua história. Para os leigos no assunto, o Memex, foi projetado no final da II Guerra, ínicio da Guerra Fria, era uma máquina composta por tela e técnica de microfilmagem, utilizada para indexar arquivos.

 Mas independentemente de sua composição ou funcionamento o que quero enfatizar aqui, é o conceito no qual esta máquina foi criada. Muito antes de ter qualquer tipo de tecnologia, ou interface para a web, Bush pensou no usuário.

” (…) Operando sempre por meio de associações, Bush imaginou e descreveu, de maneira detalhada, uma máquina capaz de estocar montanhas de informações, fácil e rapidamente alcançáveis. Tal engenho, concebido para suprir as “falhas da memória humana”, através de recursos mecânicos, é considerado o precursor da idéia de hipertexto”.  (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Memex)

Se pensarmos no hipertexto como forma de melhor leitura e associação, estamos portanto, pensando no usuário da interface. Estamos pensando na forma de como esse usuário navegaria nessa interface de forma funcional, acessível, ou até mesmo cômoda. Afinal se estamos indo atrás da informação, é esperado que ela seja, no mínimo prática.

Mas voltando ao conceito de Bush, a meta do Memex, era “traçar trilhas”, trilhas nas quais ficassem registradas todas as informações adquiridas e que fosse possível retomá-las de qualquer ponto que parassem. O usuário do Memex poderia portanto, traçar uma trilha de pesquisa e traçar trilhas paralelas a esta, caso um outro usuário quisesse continuar ou criar uma nova trilha com assuntos relacionados à pesquisa anterior, este poderia ver toda a linha de pesquisa que foi traçada pelo primeiro usuário.

Hoje, temos uma tecnologia que avança gradativamente, interfaces são criadas conforme o “padrão” já estabelecido, mas deixa-se um pouco a desejar na questão do usuário. Hoje o usuário tem a liberdade de navegar de site em site, de link em link, mas não tem a capacidade de “criar trilhas”, como as do Memex. O que chegamos perto foi o hipertexto, que não deixa de ser um elo de associações, mas por enquanto, incapaz estabelecer trilhas, o que temos hoje, é um simples “adicionar a favoritos” para tentar voltar onde paramos, mas não mais que isso. Talvez essa “criação de trilhas” possa ser um novo projeto de interface que envolva várias áreas do saber, talvez possa ser o sonho da criação de novas interfaces que ultrapasse os limites do hipertexto. Talvez seja possível voltar a história, para que o avanço da tecnologia também evolua os padrões de informação, onde o principal foco seja o usuário.

Imagem do Memex, projeto de Bush

sample_memex_q252.gif 

(fonte: http://www.dynamicdiagrams.com/case_studies/mit_memex.html)

 

 

Neoclassicismo e Romantismo…

Um pouco de história..

Neoclassicismo

Trata-se de um movimento artístico internacional que surge na segunda metade do séc. XVIII e culmina no período Napoleónico (estilo Império), exercendo posteriormente uma influência decrescente, embora marcando, ao longo do séc. XIX, o estilo oficial de vários países, particularmente a América do Norte (Greek revival).O neoclassicismo surgiu como reacção à artificialidade do rococó e impôs como prática a simplicidade, nas linhas, formas, cores e temas, bem como o aprofundamento de ideias e sentimentos. Inspirou-se nas formas primitivas da arte clássica: o puro contorno linear, a abolição do claro-escuro. Para os escultores neoclássicos, a essência da pureza residia no mármore branco da estatuária grega. No neoclassicismo, o espírito científico, racional e didáctico dos enciclopedistas do Século das Luzes associou-se ao mítico retorno à Natureza propagado por Rousseau. Para os artistas neoclássicos os conceitos de racionalismo e sensibilidade não eram opostos. A compaixão é própria das pessoas virtuosas e a temática neoclássica pretendia exaltar a virtude. Mas tal como a teoria mítica do bom selvagem provou ser utópica, também o foi um estilo que viu na Arte Clássica e nos heróis de Plutarco os modelos de perfeição a reinstalar no mundo.  A teoria estética do neoclassicismo foi desenvolvida por Johann Joachim Winckelmann (1717-1768), em 1764, na sua História da Arte da Antiguidade, e teve Roma como centro de divulgação. 

Romantismo


Tendência que se manifesta nas artes e na literatura do final do século XVIII até o fim do século XIX. Nasce na Alemanha, na Inglaterra e na Itália, mas é na França que ganha força e de lá se espalha pela Europa e pelas Américas. Opõe-se ao racionalismo e ao rigor do neoclassicismo. Caracteriza-se por defender a liberdade de criação e privilegiar a emoção. As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade cristã, a natureza, os temas nacionais e o passado. A tendência é influenciada pela tese do filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) de que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Também está impregnada de ideais de liberdade da Revolução Francesa (1789).
ARTES PLÁSTICAS –O romantismo chega à pintura no início do século XIX. Na Espanha, o principal expoente é Francisco Goya (1746-1828). Na França destaca-se Eugène Delacroix (1798-1863), com sua obra Dante e Virgílio. Na Inglaterra, o interesse pelos fenômenos da natureza em reação à urbanização e à Revolução Industrial é visto como um traço romântico de naturalistas como John Constable (1776-1837). O romantismo na Alemanha produz obras de apelo místico, como as paisagens de Caspar David Friedrich (1774-1840).
RomantismoTendência que se manifesta nas artes e na literatura do final do século XVIII até o fim do século XIX. Nasce na Alemanha, na Inglaterra e na Itália, mas é na França que ganha força e de lá se espalha pela Europa e pelas Américas. Opõe-se ao racionalismo e ao rigor do neoclassicismo. Caracteriza-se por defender a liberdade de criação e privilegiar a emoção. As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade cristã, a natureza, os temas nacionais e o passado. A tendência é influenciada pela tese do filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) de que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Também está impregnada de ideais de liberdade da Revolução Francesa (1789).

 delacroix-odalisca.jpg 

(Eugène Delacroix  – Romantismo)

ingres_grand_odalisque.jpg 

(Ingres Gran Odalisque)

Comparação

Podemos analisar e comparar o estilo neoclássico com o Romantico através das pinturas das odaliscas de ingres Gran odalisque( neoclássico) e delacroix (romantismo) , onde a primeira reflete ao estilo de pintura a que o movimento se propõe, através da busca intensa da imagem real e a preocupação em reproduzir fielmente a cena da forma que ela está acontecendo naquele momento (diria até de forma fotográfica), é o que transmitem os detalhes do ambiente,  com o realce dos objetos e acessórios que compõem o quarto lembram o estilo grego, utilizado no período clássico, e contrastam com a luminosidade da figura central, a odalisca, na qual revela o padrão de beleza considerado da época, a posição da odalisca apesar do nu, considerado um tanto ousado para a época, transmite uma atitude reservada, tem um olhar desconfiado, e se restringe a sua própria exposição.   

Já na odalisca do período romântico, delacroix, percebemos uma outra visão adotada no período, não há mais preocupação em relatar fielmente a realidade, os traços são levado para o lado da pintura, se utilizando de pinceladas borradas, o ambiente não é “enfeitado”, não há preocupação com comportamentos ou arrumações, o uso do vermelho e de sombras no ambiente passam uma sensação de clima quente, o que faz com que a odalisca, juntamente com o ambiente se torne um todo, ao em vez de se contrastar como figura central, sua posição nos transmite uma atitude espontânea, sem preocupação com sua própria exposição, diria que ela se sente a vontade por estar ali.

Acho que a principal diferença entre as duas, observando apenas a pintura, envolve principalmente questões de liberdade.

Comentários

Esta categoria tem a intenção de mostrar comentários sobre o conteúdo de aula pedido pela Profº Isa para constar em nosso portfólio de Arte.

“Basquiat traços de uma vida”

basquiat-poster04.jpg Taí o filme do Basquiat para quem quiser ver é muito bom para formar opiniões sobre a arte contemporânea, gostei dessa capa de filme, o design dela com as cores e as letras revela bem a arte de rua a que o filme se propõe. (Legal, legal^^).

Jean Michel Basquiat

Hoje extremamente por pura coencidência, assisti o filme indicado pelo Rodrigo do Basquiat, “Basquiat-traços de uma vida”, confesso que não assisti ele todo, mas gostei do que vi, ele mostra bem a realidade da arte de rua da epóca, só não gostei que não dá pra ver direito as obras dele, passam muito rápido, nem dá pra reparar os detalhes das obras….o filme enfatiza muito mais o preconceito racial e de classe existente nas ruas do que a própria arte do ator, mostram apenas pessoas admiradas ao verem as obras mas não a obra em si….de qualquer forma este eu também recomendo…

Enterro na rede

enterronarede.jpg

Obra que completa a série Retirantes disponível no Masp.

Nessa obra reparei muito nos pés da figura da mulher ao centro,  entra em contraponto com as outras figuras que estão dispostas na tela, eles me passaram uma idéia de luta, vontade, por isso a diferencia dos demais elementos, apesar do tema principal ser o enterro na rede, onde o corpo é carregado como um destroço qualquer, o realce da posição da mulher na pintura pode voltar o olhar para a perda e a situação em que eram propostos. 

Retirantes

retirantes.png

Sem dúvida esta é a obra mais famosa de Portinari, inclusive a que deu nome a série de obras de 1944-45 que tinha a intenção de retratar a seca que atingia o Nordeste Brasileiro, se utiliza dos mesmos recurso já citados na série.

Portinari

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Passando do “monópolio de Picasso” presente neste blog, resolvi passar para a arte brasileira.

Na última terça-feira dei uma passada na exposição que está ocorrendo no Shopping Morumbi, as obras de Portinari diretamente vindas do Masp, estão expostas numa pequena exposição, porém muito organizada, (separadas em série bíblica e série retirantes) com direito a sala de multimídia e livros sobre vida e obra do artista.  Confesso que não conhecia muito bem todas as obras dele, mas ao ver a tela em tamanho real, e perceber os detalhes da pintura, principalmente na série retirantes, causou choque na observação. 

Portinari se utiliza do exagero da realidade na composição destas obras, para provocar exatamente este choque, entre elas a que mais me surpreendeu foi “criança morta”, onde os membros da família com a criança morta pela seca que atinge o nordeste, chora a sua perda, e a seca é tanta que as lágrimas não são caracterizadas como água, mas como pedaços das faces que parecem estar se desintegrando, como o resto dos corpos que aparecem os ossos.

Na série biblica, a qual não disponho de imagens, as obras se utilizam de uma escala tonal com todos os tons de cinza e o realce das mesmas, são pinturas com formas imensas e que caracterizam os dogmas de fé.

Vale a pena conferir! 

La muse

la-muse.jpg

Mistura de cores, relação entre homem, mulher e ambiente. Seja qual for a interpretação do observador para as imagens de Picasso, a complexidade em todas elas estão presentes. 

Femme em Vert

femme-en-vert.jpg

Pesquisando as obras de Picasso, encontrei algumas que não tinha visto antes, esta é um exemplo dela, achei interessante principalmente pela relação de tons complementares do roxo com o amarelo, juntamente com o verde descrevem um contexto de imagem com cores quentes e frias ao mesmo tempo, em termos de formas, o uso do cubismo demonstram uma mistura de forma humana (rosto) e animal (mão), o que pode ser interpretado como as duas faces de cada um.

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